Guinea-Bissau, February 2024 (Portuguese version)
RELANÇAMENTO DA CULTURA DO ARROZ NA GUINÉ-BISSAU
Entrevista concedida pela Dr. Fatumata Djau Baldé
– Ministra da Agricultura e Desenvolvimento Rural –
Bissau, 5 de Fevereiro de 2024
No dia 5 de Fevereiro de 2024, a Ministra da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Republica de Guiné-Bissau, na companhia da equipa técnica do seu Ministério, nomeadamente, o Secretário Permanente (SP) e o Diretor-Geral da Agricultura e Planeamento, recebeu no seu gabinete em Bissau uma delegação composta pela representante da JICA-Senegal, Coordenador Técnico e o Consultor Regional ambos da Coligação Africana para o Desenvolvimento do Arroz (CARD). Nesta ocasião, a dirigente endereçou palavras de boas vindas tendo manifestado a sua gratidão por vários apoios da Agência Japonesa para a Cooperação Internacional (JICA) em diferentes domínios oferecidos ao pais e, em seguida, delegou os seus acompanhantes a missão de prestar informações aos visitantes.
O encontro da delegação visitante começou com nota previas onde a representante da JICA-Senegal, na sua qualidade de assistente a Guiné-Bissau por parte da JICA expressou a sua preocupação pela fraca resposta deste pais em responder as ofertas disponibilizadas para as áreas de formação, capacitação e estágios profissionais proporcionados por esta organização internacional. Em seguida o Secretario Permanente Permanente assegurou que iria usar os canais diplomáticos ao seu alcance para fazer face a esta situação e prometeu tudo fazer para que de ora em diante o pais possa beneficiar destas oportunidades.
Por sua vez, o Coordenador Técnico da CARD fez uma resenha sobre a natureza e o significado da CARD nos seguintes termos:
- A Aliança para uma Revolução Verde em África (AGRA), a Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA) e a Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD) tomaram a iniciativa de desenvolver uma nova arquitetura – a Coligação para o Desenvolvimento do Arroz em África (CARD) – com o objectivo de definir uma estratégia global e um quadro de acção que contribua para a realização de uma revolução verde em África através de uma cultura cada vez mais importante – o arroz. Acrescentou que a CARD pretende dar resposta à importância crescente da produção de arroz em África. Aquele dirigente realçou que a iniciativa CARD foi lançada com êxito durante a TICAD IV (Quarta Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano, em Yokohama, de 28 a 30 de Maio de 2008). O evento contou com a participação de uma série de peritos agrícolas, investigadores, profissionais da ajuda e funcionários governamentais de vários países.
- De seguida explicou que a CARD é um grupo consultivo de doadores bilaterais e organizações regionais e internacionais que trabalham em colaboração com os países africanos produtores de arroz da África Subsariana (ASS). O seu objectivo da primeira fase da CARD foi apoiar os esforços dos países africanos para duplicar a produção de arroz no continente para 28 milhões de toneladas por ano no prazo de 10 anos (até 2018). A segunda fase da CARD começou em 2019, com um objectivo renovado de duplicar ainda mais a produção de arroz na África Subsariana, de 28 milhões para 56 milhões de toneladas nos próximos 12 anos (até 2030). A CARD apoia os países membros na preparação da sua Estratégia Nacional de Desenvolvimento do Arroz (ENDA), através da organização de uma série de workshops denominados Semana de Trabalho, em média três vezes por ano.
- Por fim o Coordenador Técnico da CARD explicou aos presentes que o objectivo da visita consistia no apoio a aprovação e validação formal da ENDA2 elaborada e validada tecnicamente em Dakar no Senegal em Fevereiro de 2023 tendo acrescentado que como corolário da sua validação seriam elaborados os anteprojectos que servirão de base para a mobilização de recursos financeiros junto dos parceiros de desenvolvimento incluindo o Governo da Guiné-Bissau.
Depois das notas previas, foi levada a cabo uma breve entrevista aos funcionários de alto nível, nos seguintes aspectos:
Pergunta 1: Como é que se caracteriza o sector do arroz na Guiné-Bissau?
Resposta: Na Guiné-Bissau, o arroz é uma cultura importante para a segurança alimentar e nutricional, com potencial para gerar rendimentos para os produtores e outros actores da cadeia de valor. No entanto, nas últimas décadas, a produção nacional não tem sido capaz de satisfazer a procura devido ao rápido crescimento da população, à urbanização e à mudança das preferências dos consumidores. O consumo anual é de aproximadamente 318.148 toneladas contra uma produção nacional de 118.885 toneladas, obrigando o país a recorrer a importações de 188.174 toneladas para cobrir o défice que custa ao país cerca de 74 milhões de dólares por ano.
Pergunta 2: Quais são os principais constrangimentos à produção de arroz no pais?
Resposta: Na Guiné-Bissau, os principais desafios que o sector do arroz enfrenta são a baixa produtividade devido ao uso de tecnologias de produção inadequadas, sementes de má qualidade e o limitado acesso aos insumos tais como fertilizantes e pesticidas, o mau estado das infraestruturas e equipamentos agrícolas, equipamento e tecnologias pós-colheita inadequados bem como a limitada capacidade dos produtores e de outros intervenientes no sector associados ao sistema de comercialização inadequado.
Pergunta 3: Quais sai as expectativas da Guiné-Bissau em relação à CARD e aos Parceiros de Desenvolvimento?
Resposta: A principal expectativa é que os projectos sejam orientados para os resultados sendo que a ênfase deve ser colocada na mecanização, tendo em conta que o trabalho manual dificilmente alcançará resultados tangíveis. O desenvolvimento de infraestruturas de gestão da água é fundamental sendo que o Governo está disposto a tomar as medidas necessárias para criar um ambiente propício à participação de agricultores privados e de pequena escala na produção de arroz. Os entrevistados reiteraram que a ENDA2 é consentânea com a Estratégia do Governo no sentido do aumento da produção do arroz pela via do aumento do rendimento que deverá passar de 2,0 para 3,38 t/ha no ecossistema de mangal e para 5 t/ha nas zonas irrigadas concentrando as suas acções nas bacias hidrográficas dos rios Geba e Corrubal.